Visconde Louis Charles Édouard

de Lapasse

(1792 - 1867)

O Visconde Édouard de Lapasse foi um grande doutor de Toulousse do século passado, contudo, se procurará em vão seu nome na obra de Philippe Wolff : "O povo de Toulouse na história".

De antiga nobreza espanhola, seus ancestrais se instalaram no sudoeste à partir do século XIII e estavam ao serviço dos condes de Foix.

Louis Charles Edouard nasceu em 21 de janeiro de 1792, sua mãe era uma Cardaillac, alia-se ao marquês de Osmond, embaixador do Rei em Londres.

Louis fez seus estudos no liceu de Bordeaux depois seu direito em Toulouse mas é apaixonado pela poesia. No entanto, ele se envolve em uma carreira militar entrando na companhia dos cavaleiros ligeiros do Rei em 1814.  

Pelo intermédio de M. d'Osmond, ele se tornou secretário da embaixada e com esse título viajou por toda a Europa: Londres (1815), Hanover (1818) Berna (1824).

Certamente ele conheceu rosacruzes na Alemanha (ligados ao barão Von Eckartshausen) e por sua recomendação foi dirigido a Palermo (1831) para o príncipe Balbiani que o iniciou no hermetismo dos Rosa-Cruz. Balbiani então muito idoso havia conhecido pessoalmente Cagliostro. Ele teve acesso às bibliotecas dos abades de La Cava, de Monte Cassino e de Montreal. 

De volta à França, De Lapasse teve conhecimento dos arquivos dos Rosa-Cruz da França; ele pode se familiarizar com as obras de Paracelso, Van Helmont, Robert Fludd, de David de Planis-Campy.

Paralelamente ele estudou medicina na faculdade de Paris. Ele deu muita importância à escola de Salerno e à escola de Montpellier (ver Arnaud de Villeneuve). Mas nunca obteve o diploma.

Um jornalista legitimador do tempo para os jornais "Le rénovateur" ou "La quotidienne", ele frequentou os salões da condessa de Boigne e teve atrito com M. de Rémusat. Depois em 1842, veio a exercer gratuitamente seus cuidados médicos em Toulouse. Ele iria curar a epilepsia, tuberculose e os reumatismos.

Ele publicou obras muito importantes especialmente sobre a arte de conservar a vida pelo maior tempo possível. Sobre a higiene e a terapêutica para os pobres.

Ele se tornou o mantenedor dos jogos florais e presidente da sociedade de arqueologia de Toulouse. Ele também se interessou pela agricultura e escreveu numerosas obras sobre a poesia, romances, estudos políticos e filosóficos, especialmente uma "Fisiologia das nações". 

Em 1865, foi por pouco tempo conselheiro municipal de Toulouse.

Ele morreu em 1867 no castelo de Lussac com M. de Montesquiou.

Ele teve uma filha, Blanche de sua esposa nascida Lagarde, que morreu no leito e teve a dor de perder esse filho único pouco depois que se casou com M. de la Bourdonnaye.

Eis em que termos o príncipe Balbiani teria confiado ao Visconde de Lapasse sobre a fraternidade dos Rosa-Cruz (3) :

"eu passo por ser Rosa-Cruz e, como tal, me tomam por Maçom. É um erro. A Franco maçonaria deu a um de seus graus a denominação de Rosa Cruz.(4)

Os profanos confundem os maçons dessa "dignidade tenebrosa", com os irmãos da Rosa-Cruz cuja instituição remonta ao século XV. O vulgar se engana. Os verdadeiros Rosa-Cruz estão além das associações maçônicas."....

"Os antigos Rosa-Cruz se chamavam entre eles os "Edelphes"…tiveram que manter sob juramento sua doutrina oculta aos olhos do vulgar... Eles tinham encontrado um novo idioma para expressar a natureza dos seres... eles se comprometeram a se apressar ao Reino Puro...".

 

Notas e fontes:

1 - A biografia do visconde Louis-Charles-Edouard de Lapasse foi traçada pelo conde Fernand de Rességuier, Éloge de M. o visconde de Lapasse, Jeux Floraux, Toulouse, 1869, gráfica Douladoure.

2 - Assim às vezes se chamavam os Rosa-Cruz desde que Cagliostro em sua "memória contra o Procurador Geral" qualificou de "nobre e viajante, passageiro e fazendo o bem" (ver a tumba de Fleury em Rennes-les-Bains).

3 - Ensaio sobre a conservação da vida, Paris 1860, Victor Masson

4 - Firmin Boissin, em 1869, em Visionários e iluminados, Paris Liepmannssohn et Dufour

5 - o 18º, o de Cavaleiro Rosa-Cruz